Injusto fim

               Eu sabia o que me esperava aquela noite e não poderia mais fugir, mas eles… Ah, eles sabiam meu nome, meus trejeitos, minha fisionomia. Cartazes espalhados por todos os cantos me denunciavam e como a marca de um tiro numa parede, estava meu nome: Robert Lowddner. Eram três contra um, mas eu não me renderia, não era do meu feitio desistir de tudo assim tão fácil. Prometi a ela que voltaria e estava na hora de cumprir minhas palavras antes que fossem em vão.

Richard, Lawrence e Lorena tentariam me impedir de todas as formas, mas eu lutaria, faria de tudo só para vê-la novamente, era minha última chance, era meu único objetivo, era minha última vida antes que me prendessem e depois eu não voltaria mais, nunca mais. Eu corria desesperadamente pelas ruas da cidade, me escondia em becos escuros, me camuflava em bares, mas não durava muito tempo e eu voltava a fugir. Percorri metade da Ilha apenas fugindo, mas meu objetivo continuava um pouco longe, era preciso mais esforço. Quando cheguei próximo à avenida, que por sinal àquela hora da madrugada estava vazia, eu pensei estar salvo pelo menos por alguns minutos a tempo de tomar ar, mas me enganei ao ver um carro aparecer na esquina virando drasticamente e em alta velocidade e eu não tive alternativa se não de voltar a fugir pelos becos e trechos mais escuros de ruas desertas, o medo tomava conta de mim, fiquei receoso de enganá-la dizendo que estaria lá e jamais aparecesse… Naquele dia descobri que não é só o tempo que é cruel, a mente também é porque ela te faz imaginar coisas e coloca-las em atos como se ninguém percebesse e como o que me colocou nas mãos deles. Com toda sinceridade eu não me perdoo, me condeno pelos meus erros, mas juro que sempre esperei uma segunda chance só que ela nunca chegou. Aquela noite parecia ser minha, eu estava ficando exausto, minhas pernas tremulavam, minha boca estava seca e meus olhos doíam enquanto as lágrimas corriam para o abismo de meu rosto, estava perdido, não tinha saída, encurralado como uma fera na jaula. Enquanto eu corria utilizando ao máximo o pouco que restava da minha energia passei por alguns bares em que todos ficaram me olhando assustadoramente, mas eu não podia parar e me camuflar novamente porque poderia ser tarde demais para encontra-la, seria quebrar uma promessa. Eu pensei em desistir várias vezes, mas a cada tentativa um mar de lembranças e imagens dela faziam com que eu a desejasse de volta mais ainda. Era impossível não tentar, era inaceitável desistir, apenas continuei. Parecia um louco, demente, insano correndo exaustivamente pelas ruas e becos, atravessando pontes e pulando muros para despistar aqueles que desejavam incansavelmente me parar, até que de repente eu parei por conta própria não acreditando no que via, parecia mentira ou apenas ilusão dessa mente louca que possuo, mas não era, era ela há apenas alguns passos de distância caminhando pelas ruas da cidade, estava de costas para mim então não havia me visto ainda. As lágrimas percorreram meu rosto e caíram no asfalto gelado, eram de emoção em revê-la depois de tanto tempo. Ela olhou para trás quando gritei seu nome.

-Elizabeth!

E como eu imaginava ela estava surpresa e assustada a me ver naquele estado e caído de joelhos, com lágrimas percorrendo meu rosto, mas sorrindo de alegria por finalmente ter cumprido o que a prometi: Um dia eu voltaria.

-Robert! Não posso acreditar você voltou!

Ela correu até mim e segurando minhas mãos me levantou e me abraçou fortemente.

-Eu disse que voltaria não disse?

Minha fraqueza era evidente quando minhas palavras saíram como um sussurro frágil. Ela segurou meu rosto em suas mãos e nossos lábios se tocaram comprimindo-se num beijo. Ah… Era minha mais forte lembrança dela, seu beijo. Ela sorria e chorava ao mesmo tempo como eu.

-Você cumpriu sua promessa, voltou pra mim Robert, voltou pra mim…

-Não podia ignorar as palavras que lhe disse um dia, não podia torna-las falsas ou deixa-las perderem-se ao vento, não podia, não podia.

Ela sorriu e me deu mais um beijo, mas como eu disse aquela parecia ser a minha noite, como se tudo já estivesse marcado e faltasse apenas cumprir as tarefas. Bom, nem a última me foi evitada. Eu a assustei quando gritei de dor ao ser atingido.

-Robert? Querido o que houve? Robert?!

Eu admito, eles me pegaram. Mas ainda pude ver o brilho dos seus olhos mais uma vez e exalando minhas últimas forças foram as últimas palavras que deixei pra ela.

-Elizabeth… Nunca se esqueça… Que eu te amo.

Meus olhos se fecharam lentamente e se ela não me segurasse meu corpo cairia ao chão como uma pedra.

-Robert? Não! Não!

Eu havia lutado, feito de tudo o que era possível e impossível, voltei e cumpri minha promessa com ela, mas o meu destino não era continuar ao seu lado.

Escrito por Adriane Piran

2 comentários sobre “Injusto fim

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