A Sétima Arte: O Cinema Mudo

Luz, Câmera, Ação!

Frase clichê quando o assunto é produção audiovisual. Mas como todos sabemos não foi exatamente audiovisual que tudo começou na indústria cinematográfica que conhecemos hoje.
A nossa querida sétima arte, o cinema, tem uma longa história datada desde o século XVIII onde o primeiros filmes produzidos eram feitos em preto e branco e mudo! Ou seja, não havia diálogos falados e conversações cujo os mesmos eram substituidos por uma trilha sonora e efeitos sonoros que acompanhavam o decorrer da história, sendo assim, necessitava-se de maior ênfase da expressão corporal e facial dos atores de cada projeto. Na época quando eram transmitidos em teatros e demais locais de exibição a trilha sonora era a musica ambiente que acabava sendo executada por um pianista ou um instrumentista para sonorizar a exibição nas pequenas cidades, já nas grandes cidades haviam orquestras que produziam os efeitos sonoros que fossem precisos no momento. A sincronia nem sempre estava presente então em algumas partes dos filmes eram exibidas legendas chamadas na época de intertítulos para melhor compreensão da história.
O que muitos não sabem é até 1980 a fotografia era mais estudada do que a cinematografia pelos cientistas, quem mudou o cenário foi o inventor Thomas Alva Edison construindo “Black Maria” um laboratório em West Orange- Nova Jersey que se converteu em um lugar de experimentos em imagens com movimento, tornando-se assim o primeiro estudio de cinema do mundo.
Não sabe-se exatamente quem deu origem dos primeiros passos do cinema. Mentes brilhantes, como Thomas Edison, no fim do século XIX, o francês Meliés e o inglês G. A. Smith, com suas primeiras tentativas, podem ser considerados pioneiros neste empreendimento, mas a história reservou aos irmãos Louis e Auguste Lumieré o mérito de ter lançado a primeira exposição dessa máquina de entretenimento, pois depois de muitas experiências com projeções de imagens os irmãos Lumière chegaram ao cinematógrafo invento que era ao mesmo tempo câmera, filmadora e projetor, e na verdade é o primeiro equipamento que se pode chamar de cinema.
No dia 28 de Dezembro de 1895 foi rodado pela primeira vez em público no salão Grand Café, do boulevard des Capucines, em Paris, o público presenciou pela primeira vez filmes como La Sortie des ouvriers de l’usine Lumière (A saída dos operários da fábrica Lumière) e L’Arrivée d’un train en gare (Chegada de um trem à estação), breves testemunhos da vida cotidiana.
Os primeiros gêneros surgidos no cinema foram os documentários feitos pelos irmãos Lumière e as ficções em 1986 quando o ilusionista francês George Méliès demonstrou que o cinema não servia apenas para retratar a realidade, mas para criar a fantasia também, a parir disso produziu filmes narrativos dando inicio ao cinema de apenas uma bobina. Em Paris, num estudio qualquer Méliès rodou o primeiro grande filme encenado com duração em torno de 15 minutos chamado “L’Affaire Dreyfus” (1899) e “Cendrillon”, com 20 cenas. Méliès ficou reconhecido por vários filmes que continham suas fantasias e que exploravam as possibilidads da câmera de cinema. Os dois estilos fundiram mais tarde surgindo as ficções realistas criadas pelo inventor estadunidense Edwin S. Porter. Ele trabalhou no estudio de Edison onde produziu o filme considerado realmente interessante com duração de 8 minutos, “The Great Train Robbery”, em 1903. O filme influenciou a forma de desenvolvimento do cinema já que abrangia novidades como montagem de cenas e lugares adequados para compor a narrativa. Porter transformou a montagem em um dos fundamentos da criação cinematográfica, com o objetivo de dar coerência ao contexto.
“The Great Train Robbery” fez muito sucesso e contribuiu notavelmente para que o cinema se tornasse um espetáculo de massas. As pequenas salas de cinema dos Estados Unidos, conhecidas como “nickelodeons”, expandiram-se e o cinema começou a ser visto como indústria. A maioria dos filmes, de um só rolo, era composto de comédias curtas, histórias aventurescas ou gravações da atuação dos atores teatrais mais famosos da época. Hoje a indústria do cinema que conhecemos abrange um mercado enorme e multibilionário. Em referência a isso, falou em indústria, fala-se em Hollywood, na Califórnia, que Com o recesso do cinema europeu durante a 1a Guerra Mundial, a produção de filmes concentrou-se e foi onde surgiram os primeiros e maiores estúdios de cinema, atualmente ela é a mais popular entre todas as indústrias! Em 1912. Mack Sennett, o maior produtor de cinema de comédias do mundo, instala a sua Keystone Company. No mesmo ano surge a Famous Players (Futuramente Paramount) e, em 1915, a Fox Filmes Corporation.
Alguns dos primeiros filmes mudos:
1985- L’Arroseur Arrosé, dirigido por Louis Lumière. Duração de 44 segundos.
1985- The execution of Mary Stuart. Duração de 18 segundos.
1986- La Fée aux Choux, dirigido por Alice Guy Blache. Duração de 57 segundos.
1896- The Kiss. Dirigido por William Heise para Thomas Edison. Duração de 35 segundos.
1896- Le Manoir du Diable (A Casa do Diabo). Duração de 3 minutos e 19 segundos.
Alguns dos Clássicos do cinema mudo:
1902- Viagem à Lua
1915- O Nascimento de uma Nação 
1926- A General 
1927- Metrópolis 
1936- Tempos Modernos
Lista dos filmes mais lucrativos do cinema mudo (U$):
The Birth of a Nation (1915) – $10,000,000
The Big Parade (1925) – $6,400,000
Ben-Hur (1925) – $5,500,000
Way Down East (1920) – $5,000,000
The Gold Rush (1925) – $4,250,000
The Four Horsemen of the Apocalypse (1921) – $4,000,000
The Circus (1928) – $3,800,000
The Covered Wagon (1923) – $3,800,000
The Hunchback of Notre Dame (1923) – $3,500,000
The Ten Commandments (1923) – $3,400,000
Orphans of the Storm (1921) – $3,000,000
For Heaven’s Sake (1926) – $2,600,000
Seventh Heaven (1926) – $2,400,000
Abie’s Irish Rose (1928) – $1,500,000

Primeiros Artistas do cinema:

Claro que a maioria das pessoas quando citamos cinema mudo lembra-se do querido Charlie Chaplin e não é para menos já que o ator fez o maior sucesso na época conquistando o mundo com suas mímicas e expressões faciais marcadíssimas. Mas na época Buster Keaton e Douglas Fairbanks também eram destaques nas telas.

Buster Keaton:

Joseph Francis Keaton nasceu em 1895, em Pickway (Kansas), e morreu em Hollywood em 1966. Filho de dois cômicos ambulantes, Joseph e Myra Keaton, apareceu em cena antes de um ano de idade. Considerado uma das mais importantes figuras da história do cinema, por ter compreendido melhor que todos os seus contemporâneos o significado das possibilidades de cinema. Suas obras, apreciadas pelo público e pela crítica, estabeleceram uma interessante comunicação com o espectador, além de explorar a elasticidade do tempo. O mais admirável foi a sua capacidade de improviso e criatividade, nas inúmeras situações em que combinou um rosto impassível e um corpo capaz de qualquer acrobacia, em situações bastante divertidas.
Buster Keaton tem sido considerado um dos três grandes mestres do “pastelão”, ao lado de Charlie Chaplin e Harold Lloyd. Quando se lhe falava sobre o fato, porém, ele retrucava: “Como se pode ser um gênio com um “sombrero” e uns sapatos enormes?”. A sua carreira apresenta obras-primas, tais como ” The General” (1927), que costuma entrar na lista das 10 melhores comédias, pelos especialistas da sétima arte. A revista Sight and Sound escolheu-o em 1972 como o oitavo melhor filme da história do cinema.

Douglas Fairbanks:

Douglas Fairbanks (1883-1939), ator e produtor estadunidense, célebre pelas habilidades acrobáticas e de espadachim, foi a grande atração de seus filmes. Seu nome verdadeiro era Douglas Elton Ulman, nasceu em Denver, Colorado; depois de trabalhar por um tempo em uma companhia de valores em Wall Street, decidiu-se pela vida artística em 1901. Nos 14 anos seguintes chegou ao estrelato, e em 1919, formou sua própria produtora, ao lado de D.W. Griffith, Mary Pickford, sua segunda esposa, e Charles Chaplin: a United Artists. Entre os mais famosos filmes de Fairbanks estão “The Mark of Zorro” (1922), “Robin Hood” (1922, Allan Dwan), “The Thief of Bagdad” (1924, Raoul Walsh), “Don Q, Son of Zorro” (1925, Donald Crisp), “The Black Pirate” (1926, A. Parker), “The gaucho” (1927, F. Richard Joles), “The Iron Mask” (1929, Allan Dwan) e “The Taming of the Shrew” (1929, Sam Taylor), junto a Mary Pickford. Seu último filme foi “The Private Life of Don Juan”, en 1934, dirigido por Alexander Korda. Seu filho, Douglas Fairbanks, Jr. também foi um ator importante, na produção cinematográfica e televisiva.

Charlie Chaplin:

Nascido em Londres, em 16 de abril de 1889, Charles Spencer Chaplin seria mais tarde um mestre do cinema mudo nas telas.
Começou sua carreira artística ainda na Inglaterra, quando fez pequenas participações no teatro ainda criança. Filho de artistas, Chaplin teve uma infância difícil, em que viu o divórcio dos pais ser seguido por alcoolismo, por parte do pai, e doença, por parte da mãe. Após muita dificuldade, o jovem conseguiu espaço para se apresentar no Music Hall, dando início a sua trajetória de sucesso. Viveu tempos conturbados, como as duas Grandes Guerras e a crise de 29 nos Estados Unidos. Mesmo assim, fez muita gente sorrir.
Sir Charles Spencer Chaplin Jr. foi um ator, diretor e músico de origem britânica. Chaplin era um cômico genial, e sua simples presença era suficiente para o êxito comercial do filme, sendo a primeira lenda viva devido ao seu personagem, o vagabundo Carlitos ou Charlou em Portugal. O personagem mescla a comédia sentimental, a sátira social e o “patético” da natureza humana, tornando-se um arquétipo universal. O personagem foi se firmando ao longo dos filmes “The Tramp” (1915), “A Dog’s Life” (1918), “The Kid” (1921) e “The Gold Rush” (1925). Com a chegada do cinema sonoro, os produtores se negam a fazer “City Lights” (1931), então Chaplin o produz por sua própria conta e faz grande sucesso, êxito que se repete em “Modern Times” (1936), sátira sobre a automatização do trabalho, e “The Great Dictator” (1940), primeiro filme falado de Chaplin, uma “paródia” de ditadores, na figura de Adolf Hitler, o que lhe causaria inimizade entre os setores mais reacionários do poder estadunidense, obrigando-o a abandonar o país na década de 1950, quando houve a “caça às bruxas”, promovida por McCarthy. Algum tempo antes, em 1919, Chaplin, junto com D. W. Griffith e os dois mais famosos atores do momento, Mary Pickford e Douglas Fairbanks, formam a produtora United Artists, iniciando a era dourada do cinema mudo dos Estados Unidos.

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